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quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Pesquisa revela que moradores da Região Metropolitana de Recife leem pouco

Publicado originalmente na PE 360 graus

Entre as atividades realizadas no tempo livre, a leitura só aparece em quinto lugar; apenas 20% incorporam o hábito no cotidiano
Com o grande número de visitantes na Bienal Internacional do Livro de Pernambuco, em Olinda, que segue até o próximo domingo (02), uma pesquisa sobre a leitura chama a atenção. Mesmo com tantos leitores na feira em busca de novas publicações, um estudo feito por professor da Faculdade Fafire revela o que os moradores da Região Metropolitana fazem quando estão de folga. A leitura ficou em quinto lugar, apenas 20% das pessoas usam o tempo livre para ler. Um fato curioso é que as mulheres lêem mais que os homens.
“Além de conhecer uma celebridade, também estamos absorvendo cultura. A gente se apaixona pelos livros e acaba se identificando”, é o que conta a estudante Lígia Paulino, que veio da Paraíba para encontrar uma autora na Bienal. Exemplos como esse não são regra. O que o professor Uranilson Carvalho ouviu 700 pessoas com mais de 16 anos, em agosto deste ano, e descobriu que em primeiro vem sair com os amigos, depois, ouvir música, ver tv e acessar a internet.
O levantamento também revelou que entre os homens 18% tem o costume de ler, enquanto as mulheres, 23%. O hábito de ler também está ligado à escolaridade, quanto maior o estudo, mais tempo dedicado à leitura. Apenas 6% dos que estão no ensino fundamental lêem no tempo livre. Já entre os pós-graduados, o número sobe para 40%. A situação é parecida com relação à remuneração, 18% de quem ganha entre um e dois salários mínimos vêem o livro como uma forma de lazer. Há um aumento, para 38%, entre os que ganham mais de 10 salários.
Outro dado interessante é que 47% das pessoas responderam que não lêem porque não tem tempo, 20% não gostam, 19% não têm costume, 10% por preguiça e 2% porque acham o livro caro. Esses números não falam apenas de leitura, mas de cidadania. “O cidadão com uma melhor formação tem condições de questionar, de cobrar mais das autoridades, e, inclusive, usam os recursos públicos da melhor forma possível. Com isso, ganha todo mundo, a família, a sociedade e o próprio estado”, explica o autor da pesquisa, Uranilson Carvalho.
Já a escritora Paula Pimenta acredita que a leitura pode ser o começo de uma grande revolução. “Eu acho que em alguns anos, como os adolescentes estão lendo mais hoje em dia, os adultos e o Brasil inteiro vão ler mais”, diz.

No dia 29 de setembro de 1908 falecia um dos maiores escritores brasileiros.

Jornalista, contista, cronista, romancista, poeta e teatrólogo, Machado de Assis deixou excelentes obras em diversas temáticas. 

Joaquim Maria Machado de Assis nasceu dia 21 de junho de 1839, no Rio de Janeiro, e era filho do operário Francisco José de Assis e de Maria Leopoldina Machado de Assis, que morreu quando ele ainda era jovem. Machado de Assis não tinha recursos para estudar em cursos regulares, mas já com 15 anos incompletos, ele publicou seu primeiro trabalho literário, o soneto “À Ilma. Sra. D.P.J.A.”, no Periódico dos Pobres, número datado de 3 de outubro de 1854.

Trabalhou como aprendiz de tipógrafo na Imprensa Nacional, onde teve a oportunidade de conhecer Manuel Antônio de Almeida. Aos 19 anos de idade, Machado de Assis se tornou colaborador e revisor do Jornal Marmota Fluminense. Nesse período conheceu outros grandes nomes da literatura, como José de Alencar, Gonçalves Dias, Manoel de Macedo e Manoel Antônio de Almeida.

Entre 1859 e 1860, Machado escreveu para importantes meios de comunicação da época, como A Semana Ilustrada e Jornal das Famílias. Em 1867, Machado de Assis publicou seu primeiro livro de poesias, intitulado “Crisálidas”

Machado conciliava a publicação de suas obras com a carreira no funcionalismo público. Em 1872, ele publicou o romance “Ressurreição” e em 74 “A mão e a luva”. Entre 1881 e 1897, o jornal Gazeta de Notícias abrigou grande parte daquelas que seriam consideradas suas melhores crônicas. Machado de Assis, junto com o amigo José Veríssimo, deu o pontapé inicial para a criação da Academia Brasileira de Letras e tornou-se o primeiro presidente da instituição.

O autor é um dos grandes nomes da literatura brasileira e se mantém há muitos anos na lista de obras obrigatórias dos principais vestibulares do país.

Aplicativo de celular pode aposentar a necessidade de óculos para leitura


Publicado originalmente em De Tudo um Pouco
GlassesOff, um programa que deverá estar disponível no iPhone ano que vem, poderá permitir que as pessoas continuem lendo normalmente à medida que envelhecem quando, de outra forma, poderiam necessitar usar óculos. Ele funciona treinando a mente para transformar imagens borradas, tornando-as nítidas, para compensar a deterioração dos olhos, que impede a focalização de objetos próximos.
Uri Polat, da Universidade de Tel Aviv, em Israel, e cofundador da Ucansi, a empresa que desenvolveu o programa, disse à revista New Scientist: “Nós estamos usando o cérebro como óculos.” Quando se chega aos 50 anos, as lentes dos olhos se tornam menos flexíveis, e com isso as pessoas passam a ter dificuldade de focalizar objetos próximos.
Com o novo programa, grupos de linhas borradas, conhecidas como “manchas de Gabor” surgem em vários pontos da tela, e o usuário tem de identificar quando uma delas aparece no centro. Após utilizar o aplicativo 40 vezes, os usuários, com idade média de 51 anos, podiam, ler duas linhas abaixo em uma tabela ótica mantida a 40cm de distância de seus rostos – uma redução na “idade ocular” de 50,5 para 41,9 anos.
Eles também conseguiram ler uma página de jornal durante um tempo médio de 5,3 minutos, comparado com os mais de 12 minutos necessários antes de usarem o programa, que deverá custar por volta de US$93 num período de treinamento de três meses, seguido de uma taxa menor, mensal, correspondente a exercícios de manutenção menos regulares.

O futuro do livro e o fim da web

Texto escrito por André Forastieri em seu Blog

Sam Harris é um escritor respeitado, com um problema comum: como ganhar a vida daqui para frente. Seu tema central é a razão e a fé. Compartilha angústias em seu blog, em um texto que  pergunta: do que viverá um criador no século 21?
Está experimentando com um novo formato – livros curtinhos, de 60 ou menos páginas, vendidos exclusivamente em formato digital, através do Amazon Kindle.
Para que escrever um livro de 600 páginas, se um décimo disso é o suficiente para defender sua tese? A única razão por que temos livros tão grossos é porque a indústria do livro não é capaz de vender um livro fininho por um preço pequenininho.
Mas agora temos pouco tempo e muitas distrações. Pouca gente ainda tem paciência de passar horas e mais horas atravessando um livrão em que 90% é gordura. Mais prático assistir o autor resumindo suas ideias no YouTube, em dez minutinhos de palestra.
Melhor bispar os slides, bater o olho no verbete da Wikipedia, fazer uma busca e clicar em qualquer coisa que apareça na primeira página do Google. É um lanchinho, e não a refeição completa. Mas banquete tem hora.
Sam Harris continua escrevendo livros longos, impressos em papel e vendidos em livrarias (e também em versão digital, claro). O mais recente chama-se The Moral Landscape, e não recomendo, porque só vi o vídeo a respeito, mas parece sólido, e gente como Richard Dawkins e Ian McEwan, que li, assinam embaixo.
É mais provável que eu leia seu primeiro livrinho exclusivamente digital, Lying. É focado em um assunto só – mentira, e porque devemos sempre dizer a verdade, custe o que custar. Curtinho,  posso baixar hoje e começar a ler já. Se não for tudo aquilo, não perdi grande investimento. Custa  só U$ 1,99, o que é um atrativo a mais.  Baratinho, né?
Lying
Lying, de Sam Harris
Não. É caro, para muitos dos fãs de Harris. Não que eles não tenham dois doletas, R$ 3,60. É que, comparando com o custo de ler o blog dele de graça, parece absurdo. Lying tem uns 50 mil caracteres, o dobro ou triplo do tamanho de um post escrito por Sam para o Blog. Segundo ele, deu bem mais trabalho do que o típico texto que escreve para internet, e é um ensaio, pensado para liquidar seu ponto de vista sobre determinado assunto, e para durar.
Por isso decidiu pelo formato de livrinho digital. Mesmo assim, houve grito. Porque não tem versão para o iPad, Android Market, em papel na livraria da esquina? Por que não é de graça? Lying é um grande sucesso. Entrou na lista do top ten de itens mais vendidos no Kindle, em nono lugar. Harris tem sentimentos ambíguos sobre o resultado, que compartilha em um texto obrigatório para quem se interessa pelo destino das ideias e da comunicação.
Chama-se O Futuro do Livro (leia aqui), somente em inglês. Faz par com outro, chamado O Fim da Web como a Conhecemos, de Adrian Short (leia aqui), também só disponível na língua original. Não concordo totalmente com nenhum dos dois textos – só faltava.
Mas não se lê para buscar confirmação, e sim informação e opiniões divergentes. O que eu já sei, já sei. Conhecimento é conflito. E os dois textos iluminam, por lados diversos, faces diferentes do mesmo desafio, e funcionam melhor lidos numa tacada única.
É revelador que eles não têm relação entre si, fora a que criei. Checando meu Twitter, meia hora atrás, fui como sempre clicando nos links que pareciam mais interessantes, abrindo um após o outro, para depois conferir de uma vez o que há de mais potencialmente provocador, engraçado ou útil. Esbarrei nos textos de Sam e Adrian.
Eu poderia simplesmente passar para frente, via Retweet, ou postar no Facebook, sem contexto. Se não tivesse um blog, simplesmente faria isso. Mas tenho, e é um grande prazer compartilhar ideias, experiências e descobertas inesperadas.

"A cultura literária vai acabar em 20 anos”, afirma autor premiado

Reportagem por LUÍS ANTÔNIO GIRON, na Época

O escritor americano afirma que a tecnologia deve acabar com o livro em papel e que a literatura tende a perder a influência na formação dos jovens
Philip Roth. Após 52 anos de carreira, ele continua um favorito na lista dos cotados para o Nobel de Literatura (Foto: Steve Pyke/ContourPhotos/Getty Images)
O edifício Austin, com seus 20 andares, fica a um quarteirão do museu de História Natural de Nova York. O porteiro indica o elevador que leva ao 12o andar. Ali, à porta de um apartamento despojado, com vista para a região plana e repleta de prédios do Upper West Side de Manhattan, uma criatura mitológica dá boas-vindas. “Entre, por favor!”, diz Philip Roth, sorrindo. Ele é mais simpático do que se esperaria do criador de personagens beligerantes, frequentemente à beira do desvario. Tampouco lembra o fauno lúbrico descrito pelas feministas. Magro, alto e em forma, Roth tampouco parece um verbete da enciclopédia do romance. Aos 78 anos, 52 de carreira, ele é tido por críticos respeitados como o maior escritor vivo e figura há décadas na lista de possíveis ganhadores do Prêmio Nobel. É o único autor vivo a merecer a edição de suas obras na editora The Library of America, dedicada a escritores consagrados. Sob sua supervisão, o nono e último volume com os romances curtos deverá sair em 2013. Dele fará parte Nêmesis, seu 22º romance, recém-lançado no Brasil. Roth chegou a declarar que não escreveria mais. Nesta entrevista a ÉPOCA, no entanto, diz por que mudou de ideia, e já está pensando em uma novela em um gênero que jamais praticou: o fantástico.
ÉPOCA – Não há nenhum computador nesta sala. O que o senhor pensa sobre os avanços tecnológicos como tablets e e-readers? Eles melhoram a compreensão do mundo?
Philip Roth – Não sou fanático por tecnologia. Tenho o mesmo telefone celular há anos e não pretendo trocá-lo. Escrevo em computador, como fiz antes com a máquina de escrever. É óbvio que as máquinas facilitam a finalização de um texto. Só que as coisas estão se transformando muito rapidamente para meu gosto. Não consigo achar graça em ler livros em formato eletrônico em e-reader. Outro dia passei em uma loja Apple com a forte disposição de comprar um iPad. Cheguei lá, vi tanta gente se acotovelando para ver como funcionava o aparelho e cheguei a testá-lo. Acabei desistindo. Não sei por que, mas o iPad não me convenceu, talvez porque pareça chato escrever nele, e ler nele é dispersivo. Quem vai conseguir ler um livro inteiro meu naquele tablet? É mais um totem do culto à tecnologia. Hoje, toda a cultura se encontra a nossa disposição. E isso me preocupa. A cultura literária como conhecemos vai acabar em 20 anos. Ela já está agonizando. Obras de ficção não despertam mais interesse dos jovens, e tenho a impressão de que não são mais lidas. Hoje, a atenção é voltada para o mais novo celular, o mais novo tablet. Daqui a poucas décadas, a relação do público e do escritor com a cultura será muito diferente. Não sei como será, mas os livros em papel vão acabar. Surgirá outro tipo de literatura, com recursos audiovisuais e o que mais inventarem.

ÉPOCA – Sua trajetória foi ascendente, de um autor quase maldito de O complexo de Portnoy, de 1969 – que era lido pelos meninos como eu como uma iniciação aos segredos do sexo –, ao mestre canonizado dos romances filosóficos, que tratam da velhice e da morte. O que mudou em sua vida nestes 42 anos?
Roth – Não sei, você sabe? O que terá sido? No tempo de O complexo de Portnoy, muita gente disse que eu tinha inventado a masturbação! Quanto à consagração, a vida e a atividade literária se confundem. Para mim, escrever foi sempre a prioridade. Foi um caminho natural, de juventude, amadurecimento e velhice. Talvez o mundo tenha ficado mais parecido comigo. Hoje, ninguém precisa ler meus livros atrás de nenhuma técnica sexual! (risos) “

ÉPOCA – O senhor tem milhares de fãs jovens no Brasil, e obviamente não mais por causa dos métodos de masturbação de Portnoy. Já pensou em visitar o país e se encontrar com seus leitores?

Roth – Já fui convidado a participar de eventos literários no Brasil. Gostaria de ir, mas recusei muitas vezes, pois na minha idade não tenho mais ânimo para viajar. Em junho, me convidaram para ir a Londres receber o Man Booker Prize. Agradeci e disse que não poderia ir. A organização gravou um vídeo com uma mensagem minha, e tudo correu muito bem. Não pretendo mais fazer viagens fora dos Estados Unidos. Aliás, minhas viagens têm sido de minha casa de campo, em Warren, Connecticut, e Nova York. Gosto dessa rotina segura.

ÉPOCA – Que referências o senhor tem do Brasil?

Roth – Infelizmente não conheço nada do país nem de sua cultura. Nunca ouvi falar de um autor brasileiro atual. Não tenho nenhum contato por lá. Nem sei nem o nome de meu editor em São Paulo. Você sabe que li um único autor brasileiro? É a imagem que tenho do Brasil. Não me recordo do nome dele, mas é um romance irônico, de narrativa descontínua, sobre um homem morto que conta suas paixões e confusões em primeira pessoa. Adorei…

ÉPOCA – É Memórias póstumas de Brás Cubas, publicado aqui sob o título de Epitaph for a small winner. O autor é Machado de Assis.

Roth – Isso! Alguns amigos meus como (o crítico inglês) John Gledson me recomendaram a leitura, e gostei demais. Outro amigo, o crítico Harold Bloom, colocou o livro entre os maiores exemplos do cânone ocidental e chamou Machado de Assis de gênio. Como não conheço outros livros dele, não sei dizer. Ele me parece bastante influenciado por Tristram Shandy (romance do irlandês Laurence Sterne). Mas com uma abordagem menos pilhérica, mais consistente e aforística. Acho que deveria ler mais autores brasileiros. Ler é o que mais gosto de fazer, além de ouvir música e nadar.

ÉPOCA – O que o senhor tem lido ultimamente?

Roth – Estou em um momento da vida em que ler significa reler. Permaneço no século XVIII! (risos) Releio clássicos. Mas, de uns meses para cá, parei de ler ficção. Leio história, sobretudo livros que tratam de meus tempos de menino, o período da Segunda Guerra Mundial, que vivi em Newark, (cidade vizinha a Nova York), onde nasci. Eu não tinha a dimensão dos fatos. Os historiadores me ajudam a entender aqueles tempos. Sou fascinado pela era Roosevelt, e há ensaios e estudos recentes sobre o período – parecido com o atual, com os problemas da recessão econômica. Um livro que me impressionou foi O jovem Stalin, de Simon Sebag Montefiore. Ele traça um perfil aterrador do futuro ditador russo. Stalin é tão mau que faz Ivan Karamázovi parecer uma criança de jardim de infância.

ÉPOCA – Seus pais eram judeus, filhos de imigrantes da Europa Central. O senhor manteve tradições como o hebraico e o ídiche e o culto a símbolos religiosos?

Roth – Não. Meus pais eram cidadãos americanos pragmáticos. Eles criaram a gente sem obrigações religiosas. Fiz meu bar mitzvah aos 13 anos, mas desde então nunca mais entrei em uma sinagoga! Nunca entendi uma só palavra em hebraico que tive de recitar na ocasião e até hoje não sei o que o rabino disse naquele dia. Não sou religioso nem mantenho em casa símbolos judaicos. Os judeus americanos de minha geração não sentiram o fardo da tradição. Ser judeu em Nova York hoje é uma espécie de modo de vida cultural. Meus livros trazem personagens que carregam a tradição de forma bem mais pesada do que eu.

ÉPOCA – Muitos de seus livros se passam em Newark. Quanto de realidade contêm suas tramas?

Roth – Retirei muitos dos personagens e das situações do ambiente da Newark dos anos 1940 e 1950. Mas nem tudo em minha obra é Newark, como dizem alguns críticos. Como escritor, misturo várias referências – inclusive geográficas.

ÉPOCA – A moralidade e a mortalidade são os temas centrais de sua obra?

Roth – Em minhas histórias, a trama conduz a determinado tipo de problema moral. Os personagens caem sozinhos nas armadilhas de seus destinos. Não sou assombrado por dilemas morais nem temo a esperada vitória da morte. Mas o fato de ter perdido amigos aparece em meus livros. Há um ano morreu o mais brilhante de todos, John Updike. Perdi parentes, amores, amigos. A impressão é de que meu mundo está encolhendo. Não há como não se entristecer.

ÉPOCA – Apesar da fama de eremita, o senhor parece cercado de gente…

Roth – Sim, meus melhores amigos são colegas de profissão. Sou próximo a Joyce Carol Oates, Don DeLillo e Doctorow. Procuro manter uma vida social ativa, na medida do possível, já que decidi viver a maior parte do tempo no interior. Quando estou em Nova York, como você está vendo, todo mundo me liga para marcar encontros.

ÉPOCA – Como é seu dia a dia?

Roth – Acordo cedo, escrevo no computador, saio, converso com os vizinhos de Warren e vou nadar. Nado cinco vezes por semana: nado crawl e costas. Aqui, frequento uma piscina no centro da cidade. Nadar para mim não melhora só a musculatura. Nadar me faz pensar, me obriga a refletir sobre o que estou fazendo. Já inventei muitas histórias debaixo d’água! Depois de nadar, almoço, volto a escrever até cansar. Aí ouço música, vejo um filme e vou dormir.

ÉPOCA – Qual é seu método para criar uma história?

Roth – Não monto um esquema como alguns autores. Sou intuitivo. Começo com uma ideia e vou testando para ver se ela gera uma ação. Os personagens ganham vida, e o livro toma corpo. Minhas histórias surgem da surpresa da escrita.

ÉPOCA – Quais escritores mais o influenciaram?

Roth – Depende da idade. Aos 10 anos, lia um autor que me marcou: Thomas Wolfe. Foi um grande contador de histórias – e seus romances me ensinaram o valor da ação, da reviravolta e da veracidade dos personagens. Aos 20, fiquei fascinado pela ideia do grande romance americano. Com as obras de Theodore Dreiser e Henry James, aprendi a lidar com vários planos narrativos. Em 1953, aos 30, descobri As aventuras de Augie March, de Saul Bellow. Ele abriu o caminho para mim. Meu estilo não tem a ver com o de Bellow, seu humor é mais corrosivo. Mas ele me inspirou, pois mostrou que o mundo judaico americano podia atingir a universalidade.

ÉPOCA – Cite escritores inócuos em sua formação.

Roth – John Cheever, com seus dramas suburbanos, criou uma obra maravilhosa, fui amigo dele, conversamos muito, mas em nada me afetou. Há também Jack Kerouac. Os livros dele têm sido supervalorizados. Ele nunca passou de um narrador banal, um eterno adolescente.

ÉPOCA – Os críticos europeus denunciam o isolamento cultural da ficção americana. O senhor concorda com a análise?

Roth – Não. O que vejo é surgir um bom romance americano a cada semana. Só para mencionar meus amigos, há a Joyce Carol Oates e DeLillo. Entre os novos, Nicole Krauss tem produzido romances excelentes, como Great house. E Mollly Molloy, autora de El Sicario. A ficção americana cresce nos momentos difíceis.

ÉPOCA – O senhor anunciou que não vai mais escrever. É verdade?

Roth – Sinto desapontá-lo, mas tive de rever meu anúncio. Por sugestão de uma amiga, já estou trabalhando em uma novela curta fantástica, com figuras mitológicas. É só o que tenho a dizer por enquanto.

ÉPOCA – Por falar em mitologia, a editora Carmen Callil, jurada do Man Booker Prize de 2010, disse que não votou no senhor porque o senhor é um fauno que reduz as mulheres a objetos sexuais. Por que sua obra desperta tanto a ira das feministas?

Roth – Não sei. Isso é péssimo para minha reputação sexual, mas não há nada que eu possa fazer. Não conheço Carmen Callil. Mas um amigo meu me disse que a única razão para ela me odiar tanto é porque ela foi casada comigo.

ÉPOCA – Se o senhor ganhasse o Nobel, como se sentiria?

Roth – Seria uma honra. Mas não penso nisso como algo fundamental. Já me sinto satisfeito com o que conquistei. Queria mesmo era ganhar o Nobel da Literatura Feminista! (risos)

"Imagine" este cara cantando

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Os 100 mais poderosos no mundo dos livros

Via Recanto das Palavras

Jeff Bezos e JK Rowling são as pessoas mais influentes da indústria do livro
O jornal inglês The Guardian criou uma lista com as 100 pessoas e instituições (prêmio literários, feiras de livros) mais influentes no mercado editorial de língua inglesa, e que no fim das contas também mexem com os interesses literários e comerciais de países como o Brasil. Na lista você encontrará editores, autores, divulgadores culturais, comentaristas e críticos. O chef inglês Jamie Oliver aparece em 8º lugar, enquanto que Larry Page, fundador do Google está em 3º lugar devido a “inevitabilidade” de sua influência (leia-se Google) para o mercado de livros, apesar das disputas judiciais com autores e editoras que já duram seis anos. O aclamado e contestado autor Salman Rushdie aparece numa modesta 45ª colocação.
100-mais-influentes-do-livro
A indústria do livro (ou mercado editorial) está presente em quase todos os países desde que Gutenberg inventou a prensa com tipo móveis. Então, nos últimos 600 anos, a evolução do hábito de ler para informação e prazer se deu efetivamente com alterações na forma de produzir e divulgar o conhecimento através dos livros.
Vampiros e intrigas católicas à parte, Stephenie Meyer e Dan Brown aparecem respectivamente em 61º e 64º lugares
O mais interessante é que você (todos nós, leitores) estamos na 100ª posição, assim classificados: Reader, buyer, blogger, commenter, tweeter… (Leitor, consumidor, blogueiro, comentarista, twitteiro…). O percentual de participação traz alguns fatos interessantes como, por exemplo, apenas 3 poetas e 6 críticos literários são realmente influentes. A categoria com mais representantes é a de autores com 36 pessoas. E os editores e editora? E os comentaristas e divulgadores culturais em que posição estão? Clique sobre a imagem para ter um panorama.
100-mais-influentes
Até hoje, mesmo que a maior de todas as mudanças esteja em seus estágios iniciais, a passagem do livro impresso para o livro digital, não se sabia ao certo quem dava as cartas na indústria. Como as grandes tendências e modismos surgem no hemisfério norte, mais precisamente nos países de língua inglesa e que acabam influenciando todos nós, não custa nada dar uma olhada nessa lista. Você pode obter a planilha com todos os nomes e biografias em um arquivo para download no Google Docs.
Muitos dos nomes que estão na lista não são de nosso total conhecimento, pois a pesquisa foi feita a partir do mercado editorial dominante, o de língua inglesa. Pois, o conceito foi todo formulado por aqueles que detém o poder de exportar cultura e vender seus livros para o mundo.
Uma pergunta fica rondando nossas cabeças: quem são os 100 mais influentes no mercado editorial brasileiro?

Secretaria Municipal de Educação recusa doação de livros da ABL

Publicado originalmente por Antero Gomes no Extra


A história daria um conto: certo dia, a presidência da Academia Brasileira de Letras (ABL) recebe a ligação de um funcionário da Secretaria municipal de Educação. “Alô, a prefeitura gostaria de receber uma doação de livros para escolas da rede”, diz alguém do outro lado da linha. OK, sem problemas. Tudo acertado, as primeiras escolas buscam os seus pacotes na instituição, mas o processo é interrompido pelo município sem aviso. Em novo contato, desta vez por e-mail, a revelação: a prefeitura desiste de pegar os exemplares que restam, alegando — grosso modo — que já tinha livros em número suficiente.
Embora pareça plausível apenas no mundo da ficção, a historinha acima aconteceu de verdade. E este ano. Apesar de serem títulos pouco conhecidos, os livros recusados — que chegaram a ser empacotados e lacrados no depósito da ABL — foram escritos, entre outros, por autores famosos como José de Alencar, Euclides da Cunha, Moacir Scliar e Ferreira Gullar. Há também dicionários da Língua Portuguesa. Na ABL, a “desfeita” causou incômodo. Procurada, a academia confimou as negociações.
No bojo do programa “Rio, uma cidade de leitores”, somente este ano foram $pela prefeitura cerca de R$ 14 milhões na compra de diversos títulos, totalizando mais de 500 mil exemplares. Já o acordo inicial com a ABL era para o município receber 9 mil exemplares, que seriam distribuídos a 473 escolas da rede. A um custo médio de R$ 30 cada, a economia chegaria a R$ 270 mil.
“A Secretaria municipal de Educação esclarece que o processo de doação de livros, pela Academia Brasileira de Letras (ABL), foi interrompido após uma análise do material, na qual se constatou, entre outras coisas, que parte do acervo era de livros usados e em mau estado de conservação (…)”, informou a secretaria, por meio de nota, ao ser procurada pelo EXTRA para comentar o assunto.
A nota, porém, contradiz uma informação da própria Secretaria de Educação. Quando interrompeu o processo, em setembro deste ano (oito meses após o início das negociações), a alegação é de que havia sido feita uma avaliação pelas Coordenadorias Regionais de Educação, e estas entenderam ser desnecessário o recebimento de mais exemplares, devido os impactos do vigoroso programa ‘Rio, uma cidade de Leitores’”.
O EXTRA teve acesso a alguns pacotes de livros que seriam encaminhados a uma das escolas beneficiadas. Os exemplares estavam em perfeito estado. Um desafio digno de um livro de suspense: os personagens são conhecidos, mas falta saber quais são os reais motivos.
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