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domingo, 12 de fevereiro de 2012

Exposição comemora os 200 anos de Charles Dickens

Inspiração não tem nacionalidade, não respeita o tempo e nem dogmas comportamentais que, a cada punhado de anos, mudam de acordo com a evolução da própria sociedade. Para escritores, beber em fontes dos imortais que abençoaram a civilização com histórias memoráveis certamente serve como um tipo de incentivo à escrita que dificilmente se encontra.

Por conta disso, consideramos que cada homenagem aos imortais merece destaque e, se possível, uma visita de todos os escritores e apaixonados pelas letras.

A Biblioteca e Museu Morgan, em Nova York, inaugurou uma exposição sobre Charles Dickens (1812-1870), homenageando os 200 anos de seu nascimento.

Cartas, manuscritos (como “Um Conto de Natal”, de 1843) e documentos do autor recontam a sua história e permitem que o visitante “passeie” pela sua vida, revisitando os fatos que marcaram os seus textos e os seus pensamentos.

Se estiver por Nova York, não deixe de visitar o Morgan, prestar a sua homenagem a uma das maiores estrelas literárias da Inglaterra e, claro, aproveitar para se inspirar com a genialidade de Dickens.

Mais informações podem ser vistas abaixo:
Endereço: 225 Madison Avenue at 36th Street
Data: Até 12 de fevereiro de 2012

EQUILÍBRIO EMOCIONAL. . .

   Certamente,  que  a  batalha  da  vida  não  é  fácil  para  ninguém,  mesmo  para  aqueles  que  pareçam  estar  flutuando  ao  sabor  dos  bons  ventos,  com  riquezas  e  facilidades,  é  bom  lembrar  que  vivemos  fases  diferentes  e  que  muitos  outros  obstáculos  surgem  no  caminho.

   Em  vista  disso,  lutas  são  fatos  comuns  a  todas  as  criaturas,  infelizmente  a  arte  de  saber  conviver  com  os  desafios  naturais  da  vida,  ainda  não  foi  assimilada  pela  maioria  das  pessoas.

   E  assim  nascem  a  revolta,  a  desesperança,  a  dúvida  na  dinvidade  superior  e  em  sí  mesmos,  situação  onde  surge  o  descontrole  emocional,  quando  a  criatura  passa  a  duvidar  de  sí  mesma  abre-se  um  grande  espaço  obscuro  entre  ela  e  a  conquista  dos  seus  principais  objetivos.

   Se  alargarmos  o  acesso  de  nosso  íntimo  e  ao desanimo,  resvalaremos  em  turbulenta  postura,  é  um  caminho  de  derrotas,  pessimismo,  angústia  e  baixa  auto-estima,  realmente  temos  defeitos, somos  perversos  em  muitas  coisas,  existem  pontos  fracos  em  nós,  há  pessoas  melhores  do  que  nós  em  algo  que  pensávamos  ser  o  melhor.

   Mas  isso  é  normal,  pois  acontece  com  todo  mundo,  inclusive  àqueles  que  parecem  estar  nas  melhores  posições,  a  diferença  está  na  forma  do  forte  equilíbrio  emocional  adquiridos  e  cultivados  no  decorrer  da  vida.

   Nós  somos  os  maiores  amigos  e  também,  somos  os  maiores  inimigos  de  nós  mesmos  ao  mesmo  tempo,  se  não  confiarmos  em  nossa  própria  capacidade,  não  adiantará  ajuda  externa,  pois  nada  dará  certo,  temos  a  maior  parte  do  material  necessário  às  vitórias  em  nosso  mundo  interior,  o  restante  vamos  absorvendo  pela  vida.  

“Eletrônicos duram 10 anos; livros, 5 séculos”, diz Umberto Eco

Ensaísta e escritor italiano fala em entrevista exclusiva de seu novo trabalho, “Não Contem com o Fim do Livro”.

MILÃO – O bom humor parece ser a principal característica do semiólogo, ensaísta e escritor italiano Umberto Eco. Se não, é a mais evidente. Ao pasmado visitante, boquiaberto diante de sua coleção de 30 mil volumes guardados em seu escritório/residência em Milão, ele tem duas respostas prontas quando é indagado se leu toda aquela vastidão de papel. “Não. Esses livros são apenas os que devo ler na semana que vem. Os que já li estão na universidade” – é a sua preferida. “Não li nenhum”, começa a segunda. “Se não, por que os guardaria?”

Na verdade, a coleção é maior, beira os 50 mil volumes, pois os demais estão em outra casa, no interior da Itália. E é justamente tal paixão pela obra em papel que convenceu Eco a aceitar o convite de um colega francês, Jean-Phillippe de Tonac, para, ao lado de outro incorrigível bibliófilo, o escritor e roteirista Jean-Claude Carrière, discutir a perenidade do livro tradicional. Foram esses encontros (“muito informais, à beira da piscina e regados com bons uísques”, informa Umberto Eco) que resultaram em Não Contem Com o Fim do Livro.

A conclusão é óbvia: tal qual a roda, o livro é uma invenção consolidada, a ponto de as revoluções tecnológicas, anunciadas ou temidas, não terem como detê-lo. Qualquer dúvida é sanada ao se visitar o recanto milanês de Eco. Localizado diante do Castelo Sforzesco, o apartamento – naquele dia soprado por temperaturas baixíssimas, a neve pesada insistindo em embranquecer a formidável paisagem que se avista de sua sacada – encontra-se em um andar onde antes fora um pequeno hotel. “Se eram pouco funcionais para os hóspedes, os longos corredores são ótimos para mim pois estendo aí minhas estantes”, comenta o escritor, com indisfarçável prazer, ao apontar uma linha reta de prateleiras repletas que não parecem ter fim. Os antigos quartos? Transformaram-se em escritórios, dormitórios, sala de jantar, etc. O mais desejado, no entanto, é fechado a chave, climatizado e com uma janela que veda a luz solar: lá estão as raridades, obras produzidas há séculos, verdadeiros tesouros. Isso mesmo: tesouros de papel.

Conhecido tanto pela obra acadêmica (é professor aposentado de semiótica, mas ainda permanece na ativa na Faculdade de Bolonha) como pelos romances (O Nome da Rosa, publicado em 1980, tornou-se um best-seller mundial), Eco é um colecionador nato; além de livros, gosta também de selos, cartões-postais, rolhas de champanhe. Na sala de seu apartamento, estantes de vidro expõem tantos os livros raros – que, no momento, lideram sua preferência – como conchas, pedras, pedaços de madeira. As paredes expõem quadros que Eco arrematou nas visitas que fez a vários países ou que simplesmente ganhou de amigos – caso de Mário Schenberg (1914-1990), físico, político e crítico de arte brasileiro, de quem o escritor guarda as melhores recordações.

Eco – que tem relançado no País Arte e Beleza na Estética Medieval (Record, 368 págs., R$ 47,90, tradução de Mario Sabino) – exibe uma impressionante vitalidade. Diverte-se com todo tipo de cinema (ao lado de seu aparelho de DVD repousa uma cópia da animação Ratatouille), mantém contato com seus alunos em Bolonha, escreve artigos para jornais e revistas e aceita convites para organizar exposições, como a que o transformou em curador, no Museu do Louvre, em Paris. Lá, o autor teve o privilégio de passear sozinho pelos corredores do antigo palácio real francês nos dias em que o museu está fechado. E, como um moleque levado, aproveitou para alisar o bumbum da Vênus de Milo. Foi com esse mesmo espírito bem-humorado que Eco – envergando um elegante terno azul-marinho, que uma revolta gravata da mesma cor tratava de desalinhar; o rosto sem a característica barba grisalha (raspada religiosamente a cada 20 anos e, da última vez, em 2009, também porque o resistente bigode preto o fazia parecer Gengis Khan) – conversou com a reportagem do Sabático.

O livro não está condenado, como apregoam os adoradores das novas tecnologias?

O desaparecimento do livro é uma obsessão de jornalistas, que me perguntam isso há 15 anos. Mesmo eu tendo escrito um artigo sobre o tema, continua o questionamento. O livro, para mim, é como uma colher, um machado, uma tesoura, esse tipo de objeto que, uma vez inventado, não muda jamais. Continua o mesmo e é difícil de ser substituído. O livro ainda é o meio mais fácil de transportar informação. Os eletrônicos chegaram, mas percebemos que sua vida útil não passa de dez anos. Afinal, ciência significa fazer novas experiências. Assim, quem poderia afirmar, anos atrás, que não teríamos hoje computadores capazes de ler os antigos disquetes? E que, ao contrário, temos livros que sobrevivem há mais de cinco séculos? Conversei recentemente com o diretor da Biblioteca Nacional de Paris, que me disse ter escaneado praticamente todo o seu acervo, mas manteve o original em papel, como medida de segurança.

Qual a diferença entre o conteúdo disponível na internet e o de uma enorme biblioteca?

A diferença básica é que uma biblioteca é como a memória humana, cuja função não é apenas a de conservar, mas também a de filtrar – muito embora Jorge Luis Borges, em seu livro Ficções, tenha criado um personagem, Funes, cuja capacidade de memória era infinita. Já a internet é como esse personagem do escritor argentino, incapaz de selecionar o que interessa – é possível encontrar lá tanto a Bíblia como Mein Kampf, de Hitler. Esse é o problema básico da internet: depende da capacidade de quem a consulta. Sou capaz de distinguir os sites confiáveis de filosofia, mas não os de física. Imagine então um estudante fazendo uma pesquisa sobre a 2.ª Guerra Mundial: será ele capaz de escolher o site correto? É trágico, um problema para o futuro, pois não existe ainda uma ciência para resolver isso. Depende apenas da vivência pessoal. Esse será o problema crucial da educação nos próximos anos.

Não é possível prever o futuro da internet?

Não para mim. Quando comecei a usá-la, nos anos 1980, eu era obrigado a colocar disquetes, rodar programas. Hoje, basta apertar um botão. Eu não imaginava isso naquela época. Talvez, no futuro, o homem não precise escrever no computador, apenas falar e seu comando de voz será reconhecido. Ou seja, trocará o teclado pela voz. Mas realmente não sei.

Como a crescente velocidade de processar dados de um computador poderá influenciar a forma como absorvemos informação?

O cérebro humano é adaptável às necessidades. Eu me sinto bem em um carro em alta velocidade, mas meu avô ficava apavorado. Já meu neto consegue informações com mais facilidade no computador do que eu. Não podemos prever até que ponto nosso cérebro terá capacidade para entender e absorver novas informações. Até porque uma evolução física também é necessária. Atualmente, poucos conseguem viajar longas distâncias – de Paris a Nova York, por exemplo – sem sentir o desconforto do jet lag. Mas quem sabe meu neto não poderá fazer esse trajeto no futuro em meia hora e se sentir bem?

É possível existir contracultura na internet?

Sim, com certeza, e ela pode se manifestar tanto de forma revolucionária como conservadora. Veja o que acontece na China, onde a internet é um meio pelo qual é possível se manifestar e reagir contra a censura política. Enquanto aqui as pessoas gastam horas batendo papo, na China é a única forma de se manter contato com o restante do mundo.

Em um determinado trecho de “Não Contem Com o Fim do Livro”, o senhor e Jean-Claude Carrière discutem a função e preservação da memória – que, como se fosse um músculo, precisa ser exercitada para não atrofiar.

De fato, é importantíssimo esse tipo de exercício, pois estamos perdendo a memória histórica. Minha geração sabia tudo sobre o passado. Eu posso detalhar sobre o que se passava na Itália 20 anos antes do meu nascimento. Se você perguntar hoje para um aluno, ele certamente não saberá nada sobre como era o país duas décadas antes de seu nascimento, pois basta dar um clique no computador para obter essa informação. Lembro que, na escola, eu era obrigado a decorar dez versos por dia. Naquele tempo, eu achava uma inutilidade, mas hoje reconheço sua importância. A cultura alfabética cedeu espaço para as fontes visuais, para os computadores que exigem leitura em alta velocidade. Assim, ao mesmo tempo que aprimora uma habilidade, a evolução põe em risco outra, como a memória. Lembro-me de uma maravilhosa história de ficção científica escrita por Isaac Asimov, nos anos 1950. É sobre uma civilização do futuro em que as máquinas fazem tudo, inclusive as mais simples contas de multiplicar. De repente, o mundo entra em guerra, acontece um tremendo blecaute e nenhuma máquina funciona mais. Instala-se o caos até que se descobre um homem do Tennessee que ainda sabe fazer contas de cabeça. Mas, em vez de representar uma salvação, ele se torna uma arma poderosa e é disputado por todos os governos – até ser capturado pelo Pentágono por causa do perigo que representa (risos). Não é maravilhoso?

No livro, o senhor e Carrière comentam sobre como a falta de leitura de alguns líderes influenciou suas errôneas decisões.

Sim, escrevi muito sobre informação cultural, algo que vem marcando a atual cultura americana que parece questionar a validade de se conhecer o passado. Veja um exemplo: se você ler a história sobre as guerras da Rússia contra o Afeganistão no século 19, vai descobrir que já era difícil combater uma civilização que conhece todos os segredos de se esconder nas montanhas. Bem, o presidente George Bush, o pai, provavelmente não leu nenhuma obra dessa natureza antes de iniciar a guerra nos anos 1990. Da mesma forma que Hitler devia desconhecer os relatos de Napoleão sobre a impossibilidade de se viajar para Moscou por terra, vindo da Europa Ocidental, antes da chegada do inverno. Por outro lado, o também presidente americano Roosevelt, durante a 2.ª Guerra, encomendou um detalhado estudo sobre o comportamento dos japoneses para Ruth Benedict, que escreveu um brilhante livro de antropologia cultural, O Crisântemo e a Espada. De uma certa forma, esse livro ajudou os americanos a evitar erros imperdoáveis de conduta com os japoneses, antes e depois da guerra. Conhecer o passado é importante para traçar o futuro.

Diversos historiadores apontam os ataques terroristas contra os americanos em 11 de setembro de 2001 como definidores de um novo curso para a humanidade. O senhor pensa da mesma forma?

Foi algo realmente modificador. Na primeira guerra americana contra o Iraque, sob o governo de Bush pai, havia um confronto direto: a imprensa estava lá e presenciava os combates, as perdas humanas, as conquistas de território. Depois, em setembro de 2001, se percebeu que a guerra perdera a essência de confronto humano direto – o inimigo transformara-se no terrorismo, que podia se personificar em uma nação ou mesmo nos vizinhos do apartamento ao lado. Deixou de ser uma guerra travada por soldados e passou para as mãos dos agentes secretos. Ao mesmo tempo, a guerra globalizou-se; todos podem acompanhá-la pela televisão, pela internet. Há discussões generalizadas sobre o assunto.

Falando agora sobre sua biblioteca, é verdade que ela conta com 50 mil volumes?

Sim, de uma forma geral. Nesse apartamento em Milão, estão apenas 30 mil – o restante está no interior da Itália, onde tenho outra casa. Mas sempre me desfaço de algumas centenas, pois, como disse antes, é preciso fazer uma filtragem.

Por que o senhor impediu sua secretária de catalogá-los?

Porque a forma como você organiza seus livros depende da sua necessidade atual. Tenho um amigo que mantém os seus em ordem alfabética de autores, o que é absolutamente estúpido, pois a obra de um historiador francês vai estar em uma estante e a de outro em um lugar diferente. Eu tenho aqui literatura contemporânea separada por ordem alfabética de países. Já a não contemporânea está dividida por séculos e pelo tipo de arte. Mas, às vezes, um determinado livro pode tanto ser considerado por mim como filosófico ou de estética da arte; depende do motivo da minha pesquisa. Assim, reorganizo minha biblioteca segundo meus critérios e somente eu, e não uma secretária, pode fazer isso. Claro que, com um acervo desse tamanho, não é fácil saber onde está cada livro. Meu método facilita, eu tenho boa memória, mas, se algum idiota da família retira alguma obra de um lugar e a coloca em outro, esse livro está perdido para sempre. É melhor comprar outro exemplar (risos).

Um estudioso que também é seu amigo, Marshall Blonsky, escreveu certa vez que existe de um lado Umberto, o famoso romancista, e de outro Eco, professor de semiótica.

E ambos sou eu (risos). Quando escrevo romances, procuro não pensar em minhas pesquisas acadêmicas – por isso, tiro férias. Mesmo assim, leitores e críticos traçam diversas conexões, o que não discuto. Lembro de que, quando escrevia O Pêndulo de Foucault, fiz diversas pesquisas sobre ciência oculta até que, em um determinado momento, elas atingiram tal envergadura que temi uma teorização exagerada no romance. Então, transformei todo o material em um curso sobre ciência oculta, o que foi muito bem-feito.

Por falar em ‘O Pêndulo de Foucault’, comenta-se que o senhor antecipou em muito tempo O Código de Da Vinci, de Dan Brown.

Quem leu meu livro sabe que é verdade. Mas, enquanto são os meus personagens que levam a sério esse ocultismo barato, Dan Brown é quem leva isso a sério e tenta convencer os leitores de que realmente é um assunto a ser considerado. Ou seja, fez uma bela maquiagem. Fomos apresentados em uma première do Teatro Scala e ele assim se apresentou: “O senhor não me admira, mas eu gosto de seus livros.” Respondi: Não é que eu não goste de você – afinal, eu criei você (risos).

Em seu mais conhecido romance, O Nome da Rosa, há um momento em que se discute se Jesus chegou a sorrir. É possível pensar em senso de humor quando se trata de Deus?

De acordo com Baudelaire, é o Diabo quem tem mais senso de humor (risos). E, se Deus realmente é bem-humorado, é possível entender por que certos homens poderosos agem de determinada maneira. E se ainda a vida é como uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria, como Shakespeare apregoa em Macbeth, é preciso ainda mais senso de humor para entender a trajetória da humanidade.

Como foi a exposição no Museu do Louvre, em Paris, da qual o senhor foi curador, no ano passado?

Há quatro anos, o museu reserva um mês para um convidado (Toni Morrison foi escolhida certa vez) organizar o que bem entender. Então, me convidaram e eu respondi que queria fazer algo sobre listas. “Por quê?”, perguntaram. Ora, sempre usei muitas listas em meus romances – até pensei em escrever um ensaio sobre esse hábito. Bem, quando se fala em listas na cultura, normalmente se pensa em literatura. Mas, como se trata de um museu, decidi elaborar uma lista visual e musical, essa sugerida pela direção do Louvre. Assim, tive o privilégio (que não foi oferecido a Dan Brown) de visitar o museu vazio, às terças-feiras, quando está fechado. E pude tocar a bunda da Vênus de Milo (risos) e admirar a Mona Lisa a apenas 20 centímetros de distância.

O senhor esteve duas vezes no Brasil, em 1966 e 1979. Que recordações guarda dessas visitas?

Muitas. A primeira, em São Paulo, onde dei algumas aulas na Faculdade de Arquitetura (da USP), que originaram o livro A Estrutura Ausente. Já na segunda fui acompanhado da família e viajamos de Manaus a Curitiba. Foi maravilhoso. Lembro-me de meu editor na época pedindo para eu ficar para o carnaval e assistir ao desfile das escolas de samba de camarote, o que não pude atender. E também me recordo de imagens fortes, como a da moça que cai em transe em um terreiro (para o qual fui levado por Mario Schenberg) e que reproduzo em O Pêndulo de Foucault.

E-Books e o futuro

No mês passado, a Biblioteca Nacional, em conjunto com a Maison de France  o Instituto Goethe, realizou o encontro E-Books e a Democratização do Acesso.

O evento inclui uma série de exposições de opiniões e casos, apresentados por alguns dos maiores especialistas no assunto e que ajudam o mercado a montar a sua visão de futuro em relação aos livros.

Como em todo momento de mercado em que uma novidade muda a percepção geral, é comum termos fatalistas que preconizam a morte instantânea dos impressos – ao mesmo tempo em que outros garantem que livros eletrônicos não passam de um modismo pouco prático.

Seja como for, dois fatos claramente contradizem as duas previsões:

1) Livros eletrônicos estão efetivamente crescendo a um ritmo consistentemente forte em todo o mundo; e
2) Livros impressos sob demanda crescem a um ritmo ainda maior do que o de livros eletrônicos.
A conclusão mais ponderada que se chega é a de que as pessoas estão simplesmente lendo mais – e utilizando formatos de leitura diferentes, de acordo com a circunstância, necessidade e disponibilidade.

Há espaço para todos os formatos – impressos, e-books e audiobooks? 

Provavelmente sim, ao menos por muito tempo. Mas a nossa recomendação é que, antes de formar qualquer opinião radical sobre o assunto, os escritores abram as suas mentes e mergulhem no que os especialistas que mais estudam o mercado estão observando.

O evento que mencionamos é um belo exemplo. No site da Biblioteca Nacional, algumas das principais palestras estão disponibilizadas de forma gratuita, ilustrando números, conclusõe e tendências.

As novas bibliotecas circulantes

Histórias e sonhos de gente que inventou jeitos inusitados de levar livros para os lugares e leitores mais improváveis.

Quando era morador de rua, Robson César Correia de Mendonça, 61 anos, topou com o livro “A Revolução dos Bichos” na biblioteca de um albergue. Foi uma revolução na vida dele. A leitura levou à criação da Bicicloteca, biblioteca sobre duas rodas que circula na região central da cidade de São Paulo. “O projeto surgiu da minha necessidade de leitura. Eu não podia retirar livros das bibliotecas por não ter comprovante de residência”, diz Robson, que é presidente do Movimento Estadual da População de Rua do Estado de São Paulo.

Robson César Correia de Mendonça, 61 anos, é o idealizador da Bicicloteca.
Foto: Edu Cesar/Foto arena
Robson César Correi de Mendonça, 61 anos, é o idealizador da Bicicloteca

Com a ideia da Bicicloteca na cabeça, Robson procurou patrocinadores. O apoio veio do Instituto Mobilidade Verde. “Nosso foco é o morador de rua, mas o público é grande, inclui estudantes, advogados”, diz Lincoln Paiva, do instituto. Mesmo liberando os livros sem burocracia, o índice de retorno é de 90%, mais do que o de muitas bibliotecas.

Com o sucesso do projeto, Robson agora cuida de duas biciclotecas, uma com capacidade para 200 e outra 300 livros, somando cerca de 150 empréstimos diários. Uma delas terá placas solares para captação de energia, internet wi-fi e cursos de alfabetização digital.

Os gêneros de mais saída são romances, seguidos por livros de Direito, Religião e Psicologia.

“Livro é uma maneira de viajar, excita a mente. Com a Bicicloteca, moradores de rua começam a ler, e muitos deixam de beber, procuram trabalho, até saem da rua”, afirma Robson.
Mas não é só a força do pedal que leva livros a mais pessoas. Lincoln Paiva lançou também o Bibliotáxi, em maio desse ano. “Aproximamos o taxista da comunidade e, pelos livros, as pessoas podem voltar a compartilhar coisas e serem mais colaborativas”, diz Paiva.

O modelo é simples: no banco de trás do táxi, fica uma caixa com 15 livros à disposição do passageiro. “É uma forma de distribuir livros sem recurso nenhum, diferente de uma biblioteca.”

Integrar livros a espaços de trabalho também é um modelo fácil de replicar. Rafael Bernardes, dono da empresa de motefrete Translig, apostou numa biblioteca para dar mais formação e lazer aos funcionários.
“Motoboy que lê tem mais capacidade de entender um serviço, tem um português mais claro, tem interpretação de texto, sai do analfabetismo funcional. A mente começa a expandir, criar uma nova percepção de mundo”, afirma Bernardes.

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A Mototeca funciona desde a abertura da empresa, há 5 anos, e já tem cerca de mil exemplares. 

“É o primeiro passo para uma pessoa se interessar pela faculdade”, diz o empresário. A empresa também doa cerca de 300 livros por mês para seus clientes, nas coletas e entregas.
“Hoje leio uma média de um livro a cada dois meses. Pode parecer pouco, mas para quem não tinha o prazer da leitura é um progresso enorme”, diz o motoboy Marcos Weberton. O motoboy Marivaldo de Oliveira acabou descobrindo uma segunda profissão pelas leituras: a fotografia. “Encontrei na biblioteca livros de fotografia que me ajudam a melhorar minhas fotos”, afirma. 

O primeiro livro impresso no Brasil antecede a criação da Imprensa Régia, em 1808, por D. João VI. Sua publicação data de 1747. Foi produzido na tipografia clandestina de Antônio Isidoro da Fonseca, abordando a "Relação da entrada que fez o excellentissimo, e reverendissimo senhor D. Fr. Antonio do Desterro Malheyro, Bispo do Rio de Janeiro". Nosso bibliófilo maior, José Mindlin, observou o seguinte: "Este livro raríssimo é, aparentemente, o único realmente publicado no Brasil no século XVIII. Apesar do seu texto inocente, provocou violenta reação em Portugal. Seu impressor foi preso e enviado a Lisboa e sua oficina foi apreendida. O simples fato de se poder imprimir no País já constituía perigo de sedição".

Quase três séculos depois, o Brasil produziu 386,4 milhões de livros em 2009, conforme indica a recém-divulgada Pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro, realizada pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo), para a CBL e o SNEL. Ademais, ao contrário do que ocorria na Colônia e em alguns tristes períodos do Império e da República, a produção editorial e o hábito de leitura tornaram-se os paradigmas da liberdade de expressão e pensamento conquistada por nossa sociedade.

Sob essa égide, o livro consolida-se no País como um dos mais eficazes e acessíveis meios de democratização do conhecimento e da cultura (seus preços caíram mais 3,52% no ano passado).

O brasileiro percebe com clareza essa realidade. Tanto que, em plena era cibernética, 743 mil pessoas visitaram a 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, em agosto, nos dez dias nos quais ficou aberta ao público não-profissional. Oitenta por cento desse contingente, segundo pesquisa do Instituto Datafolha, compraram livros na feira, com um gasto médio individual de 90 reais, movimentando total próximo a 50 milhões de reais.

Os números do evento e as estatísticas da Pesquisa Fipe indicam haver boas perspectivas para o Brasil resgatar seu passivo cultural e educacional, pelo qual tem pago alto preço, em especial no tocante à sua agenda de desenvolvimento. A negligência com a educação e o descaso com a formação intelectual da população, equívocos de quase cinco séculos, vão sendo paulatinamente revertidos, com o maior acesso à escola pública e combate aos resquícios do analfabetismo.

Obviamente, ainda há muito a ser feito quanto à inclusão e melhoria da qualidade do ensino, multiplicação do número de bibliotecas públicas e disseminação do hábito de leitura. No entanto, os avanços são inegáveis nos 188 anos de nossa Independência, comemorados no 7 de setembro de 2010. Em todo esse período, o livro tem sido um dos protagonistas dos processos de transformação política e social, pois a conquista do conhecimento é essencial para credenciar pessoas e povos à plena liberdade!

*Rosely Boschini, empresária do setor editorial, é a presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL).

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Crianças dando um "SHOW"

Cidade alemã constrói biblioteca de R$ 196 milhões

Publicado na revista PEGN

Arquitetura e design são apostas para atrair novas leitores

Da Redação

Editora Globo

Com a popularização do ebbok, as versões eletrônicas dos livros tendem a ganhar a preferência do público em relação às antigas folhas de papel. Entretanto, a nova Biblioteca Municipal de Stuttgar, na Alemanha, aposta em arquitetura e design para conquistar os leitores da cidade.

Editora Globo

Projetada pelo arquiteto coreano Eun Young Yi, a nova Biblioteca pode ser considerada um gigantesco centro de mídia, formado por nove andares repletos de livros nas mais variadas línguas.

Editora Globo

A Biblioteca Municipal de Stuttgart custou aproximadamente 80 milhões de euros para ser construída, o equivalente a cerca de R$ 196 milhões.

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