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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Pesquisadores quebram criptografia dos discos Blu-ray

Pesquisadores quebram criptografia dos discos Blu-ray

“O fato de que alcançamos nosso objetivo em uma tese de mestrado, e usando materiais que custam aproximadamente 200 euros, definitivamente não depõe a favor da segurança do atual sistema HDCP,” disse o pesquisador.
(Imagem: Uni-Ruhr-Bochum)

HDCP quebrado

Pesquisadores alemães quebraram a criptografia HDCP da Intel, usada para proteção de filmes em DVD e Blu-ray contra cópias piratas.

O protocolo HDCP (High-bandwidth Digital Content Protection) é usado em praticamente todos os equipamentos com entrada HDMI ou DVI, como os computadores ou as TVs de tela plana.

Ele é usado para passar o conteúdo digital de uma mídia protegida contra cópia, como um disco Blu-ray, para a tela, usando um canal criptografado.

Hardware simples e barato

Em 2010, uma chave HDCP chegou a ser divulgada na internet, mas a Intel afirmou que a proteção continuava firme, uma vez que, para usar aquela chave, seria necessário que alguém construísse um hardware específico que seria caro e complexo.

O Dr. Tim Guneysu e Benno Lomb, da Universidade de Ruhr, não acharam a coisa assim tão complicada.

Eles usaram uma placa FPGA (Field-Programmable Gate Array) comprada no comércio a um custo de R$500,00 para empreender um ataque do tipo "homem no meio", ou intermediário (man-in-the-middle attack).

"Nós desenvolvemos uma solução de hardware independente, baseado em uma placa FPGA barata. Nós conseguimos capturar a linha de dados HDCP criptografada, decifrá-la e então enviamos o conteúdo digital para uma tela não-protegida por meio de um receptor compatível com HDMI 1.3," explica o pesquisador.

Trabalho de estudante

O aparato de hardware inclui uma placa ATLYS, fabricada pela Digilent, e uma placa FPGA Spartan-6 da Xilinx, que recebeu as interfaces HDMI e uma porta serial RS232 para comunicação.

"O fato de que alcançamos nosso objetivo em uma tese de mestrado, e usando materiais que custam aproximadamente 200 euros, definitivamente não depõe a favor da segurança do atual sistema HDCP," concluiu Guneysu, que ressaltou que a intenção da pesquisa não foi incentivar a pirataria, mas avaliar a segurança do sistema.

Na prática, o trabalho não tem nenhum efeito sobre a pirataria, uma vez que os infratores geralmente copiam o disco inteiro, com criptografia e tudo, não precisando ter tanto trabalho.

A Intel respondeu que acredita que "esta tecnologia continuará sendo efetiva". Contudo, em vez de apontar uma solução técnica, a empresa apelou para a lei, mais especificamente para o Digital Millennium Copyright Act.

Redação do Site Inovação Tecnológica

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Murar o medo – Mia Couto

miacouto [Papo Cabeça] Murar o medo – Mia Couto

Mia Couto, nascido António Emílio Leite Couto, é um biólogo e escritor moçambicano. Chama-se Mia por causa dos gatos: “Eu era miúdo, tinha dois ou três anos e pensava que era um gato, comia com os gatos. Meus pais tinham que me puxar para o lado e me dizer que eu não era um gato. E isto ficou.”
Em uma conferência sobre segurança, realizada em maio de 2011, o poeta-gato fala – com extrema sensibilidade – sobre o medo que nos aprisiona, silencia, o medo que nos impede de olhar o outro e descobrir as belezas do desconhecido. Escutemos, pois, a maravilhosa fala do escritor:



Murar o medo – Mia Couto

O medo foi um dos meus primeiros mestres. Antes de ganhar confiança em celestiais criaturas, aprendi a temer monstros, fantasmas e demónios. Os anjos, quando chegaram, já era para me guardarem, servindo como agentes da segurança privada das almas. Nem sempre os que me protegiam sabiam da diferença entre sentimento e realidade. Isso acontecia, por exemplo, quando me ensinavam a recear os desconhecidos. Na realidade, a maior parte da violência contra as crianças sempre foi praticada não por estranhos, mas por parentes e conhecidos. Os fantasmas que serviam na minha infância reproduziam esse velho engano de que estamos mais seguros em ambientes que reconhecemos. Os meus anjos da guarda tinham a ingenuidade de acreditar que eu estaria mais protegido apenas por não me aventurar para além da fronteira da minha língua, da minha cultura, do meu território.

O medo foi, afinal, o mestre que mais me fez desaprender. Quando deixei a minha casa natal, uma invisível mão roubava-me a coragem de viver e a audácia de ser eu mesmo. No horizonte vislumbravam-se mais muros do que estradas. Nessa altura, algo me sugeria o seguinte: que há neste mundo mais medo de coisas más do que coisas más propriamente ditas.

No Moçambique colonial em que nasci e cresci, a narrativa do medo tinha um invejável casting internacional: os chineses que comiam crianças, os chamados terroristas que lutavam pela independência do país, e um ateu barbudo com um nome alemão. Esses fantasmas tiveram o fim de todos os fantasmas: morreram quando morreu o medo. Os chineses abriram restaurantes junto à nossa porta, os ditos terroristas são governantes respeitáveis e Karl Marx, o ateu barbudo, é um simpático avô que não deixou descendência.

O preço dessa construção [narrativa] de terror foi, no entanto, trágico para o continente africano. Em nome da luta contra o comunismo cometeram-se as mais indizíveis barbaridades. Em nome da segurança mundial foram colocados e conservados no Poder alguns dos ditadores mais sanguinários de que há memória. A mais grave herança dessa longa intervenção externa é a facilidade com que as elites africanas continuam a culpar os outros pelos seus próprios fracassos.

A Guerra-Fria esfriou mas o maniqueísmo que a sustinha não desarmou, inventando rapidamente outras geografias do medo, a Oriente e a Ocidente. E porque se trata de novas entidades demoníacas não bastam os seculares meios de governação… Precisamos de intervenção com legitimidade divina… O que era ideologia passou a ser crença, o que era política tornou-se religião, o que era religião passou a ser estratégia de poder.

Para fabricar armas é preciso fabricar inimigos. Para produzir inimigos é imperioso sustentar fantasmas. A manutenção desse alvoroço requer um dispendioso aparato e um batalhão de especialistas que, em segredo, tomam decisões em nosso nome. Eis o que nos dizem: para superarmos as ameaças domésticas precisamos de mais polícia, mais prisões, mais segurança privada e menos privacidade. Para enfrentar as ameaças globais precisamos de mais exércitos, mais serviços secretos e a suspensão temporária da nossa cidadania. Todos sabemos que o caminho verdadeiro tem que ser outro. Todos sabemos que esse outro caminho começaria pelo desejo de conhecermos melhor esses que, de um e do outro lado, aprendemos a chamar de “eles”.

Aos adversários políticos e militares, juntam-se agora o clima, a demografia e as epidemias. O sentimento que se criou é o seguinte: a realidade é perigosa, a natureza é traiçoeira e a humanidade é imprevisível. Vivemos – como cidadãos e como espécie – em permanente situação de emergência. Como em qualquer estado de sítio, as liberdades individuais devem ser contidas, a privacidade pode ser invadida e a racionalidade deve ser suspensa.

Todas estas restrições servem para que não sejam feitas perguntas [incomodas] como, por exemplo, estas: porque motivo a crise financeira não atingiu a indústria de armamento? Porque motivo se gastou, apenas o ano passado, um trilião e meio de dólares com armamento militar? Porque razão os que hoje tentam proteger os civis na Líbia são exatamente os que mais armas venderam ao regime do coronel Kadaffi? Porque motivo se realizam mais seminários sobre segurança do que sobre justiça?

Se queremos resolver (e não apenas discutir) a segurança mundial – teremos que enfrentar ameaças bem reais e urgentes. Há uma arma de destruição massiva que está sendo usada todos os dias, em todo o mundo, sem que sejam precisos pretextos de guerra. Essa arma chama-se fome. Em pleno século 21, um em cada seis seres humanos passa fome. O custo para superar a fome mundial seria uma fracção muito pequena do que se gasta em armamento. A fome será, sem dúvida, a maior causa de insegurança do nosso tempo.

Mencionarei ainda outra silenciada violência: em todo o mundo, uma em cada três mulheres foi ou será vítima de violência física ou sexual durante o seu tempo de vida… A verdade é que… pesa uma condenação antecipada pelo simples facto de serem mulheres.

A nossa indignação, porém, é bem menor que o medo. Sem darmos conta, fomos convertidos em soldados de um exército sem nome, e como militares sem farda deixamos de questionar. Deixamos de fazer perguntas e de discutir razões. As questões de ética são esquecidas porque está provada a barbaridade dos outros. E porque estamos em guerra, não temos que fazer prova de coerência nem de ética nem de legalidade.

É sintomático que a única construção humana que pode ser vista do espaço seja uma muralha. A chamada Grande Muralha foi erguida para proteger a China das guerras e das invasões. A Muralha não evitou conflitos nem parou os invasores. Possivelmente, morreram mais chineses construindo a Muralha do que vítimas das invasões do Norte. Diz-se que alguns dos trabalhadores que morreram foram emparedados na sua própria construção. Esses corpos convertidos em muro e pedra são uma metáfora de quanto o medo nos pode aprisionar.

Há muros que separam nações, há muros que dividem pobres e ricos. Mas não há hoje no mundo muro que separe os que têm medo dos que não têm medo. Sob as mesmas nuvens cinzentas vivemos todos nós, do sul e do norte, do ocidente e do oriente… Citarei Eduardo Galeano acerca disso que é o medo global:

“Os que trabalham têm medo de perder o trabalho. Os que não trabalham têm medo de nunca encontrar trabalho. Quem não têm medo da fome, têm medo da comida. Os civis têm medo dos militares, os militares têm medo da falta de armas, as armas têm medo da falta de guerras.”

E, se calhar, acrescento agora eu, há quem tenha medo que o medo acabe.

Mia Couto

Um livro nunca deixará você na mão

A campanha abaixo possui um apelo simples e inquestionável: ter um livro nas mãos ainda é melhor que utilizar qualquer dispositivo eletrônico de leitura. Como acredito que esta seja uma verdade óbvia, e que dificilmente alguém vai preferir ler um e-book a um livro impresso, acredito que os criativos quiseram sugerir a você que largue um pouco a internet e leia um livro. Afinal, ninguém precisa ser convencido a largar um e-book para ler um livro impresso. Seja como for, retirei as peças do 16º anuário do Festival de Publicidade de Nova York, medalha de ouro, o que significa que a idéia é boa.

A criação é da Young & Rubican de Dubai.

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Tem lugares que só um livro pode te levar

Não importa quanto dinheiro ou tempo você tenha para viajar, para ir a certos lugares só mesmo através de um bom livro. É barato, você não enfrenta filas e pode voltar quando quiser. Essa campanha publicitária de incentivo à leitura foi criada pela agência Fuel (Portugal) para a livraria Saída de Emergência.


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Cuidado com quem lê

Conhecimento sempre foi uma ameaça quando se trata de manter a população obediente e ordeira. Na idade média, tentando frear o avanço do protestantismo, a igreja católica criou o index librorum proibitorum, ou índice de livros proibidos. Aos poucos, a lista foi crescendo e cercando outros tipos diversos de ameaças à fé, só tendo sido extinta em 1948.

No livro Em nome da Rosa, de Umberto Eco, tomamos conhecimento de outra prática que também teria sido usada na mesma época. Para impedir a disseminação de informações, os livros eram envenenados, e acabavam matando os leitores, que tinham o hábito de molhar a ponta do dedo na língua para virar as páginas.

Também era muito comum que ao conquistar uma cidade, o exército inimigo simplesmente queimasse todos os livros do povo dominado. Mas ficando apenas no mundo da literatura, impossível não citar livros como Farenheit 451 e 1984, que bem mostraram a relação entre o poder e o controle das informações. No livro bíblico de Gênesis, Adão e Eva também são punidos por provarem da “árvore do conhecimento”, em um possível incentivo à obediência em detrimento de um pensamento mais questionador. Como se pode ver, conhecimento é um bom negócio. Sem ele ainda estaríamos andando peladões por aí.

Por um mundo com mais livros e leitores


Se você tem um livro pegando poeira em casa, que tal vender, trocar, doar, emprestar ou libertar? Ajude a construir um mundo com mais leitores e mais livros.

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Ficha Técnica:
Diretor de Criação: Marcelo Benini e Patrícia Rosset
Diretor de Arte: Magdy Blass Selmy
Redator: Elaine Cipriano Maniçoba
Produtor: Joélia Aguiar
Ilustrador: Nelson Cordeiro
Agência: Comunicata

Clássicos da literatura invadindo os seus ouvidos

Essa campanha de posters da Young & Rubican Malásia para seu cliente Penguin Books ganhou Leão de Bronze em Outdoor no Festival de Cannes 2011. Os Cartazes anunciam os audiobooks da empresa de uma forma bem lúdica e inusitada, fazendo os personagens dos livros entrarem pelo canal do ouvido.

As referências são, respectivamente: O Livro da Selva, de Rudyard Kipling (mais conhecido pela sua adaptação para o cinema através do filme Mogli, o Menino Lobo), O Flautista de Hamelin, famoso conto dos Irmãos Grimm, e finalmente O Mágico de Oz, conto de L. Frank Baum, também possui uma imortal adaptação para o cinema, vencedora dos Oscar (1940) de Melhor Trilha Sonora e Melhor Canção Original (Over the Rainbow). Clique nas imagens para ver ampliado.

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Brasileiro não gosta de ler brasileiro

maisvendidos [Papo Cabeça] Brasileiro não gosta de ler brasileiro

Brasileiro não gosta de ler escritor brasileiro. Basta conferir nas listas “dos mais vendidos” que saem nos cadernos culturais e nas revistas semanais. Pegue as listas da Veja, por exemplo. Se for obra de ficção o cara só vai encontrar “best-seller” de escritor estrangeiro, norte-americano de preferência. Na  da Veja desta semana dos dez livros de ficção mais vendidos, 8 são de autores norte-americanos, 1 canadense e 1 (viva!) brasileiro. Só que o patrício, de nome Augusto Cury, psiquiatra, joga mais no time de escritores tipo autoajuda e não entendi como chegou à categoria de ficção.

A campeoníssima é a escritora Stephanie Meyer, dos Estados Unidos. Está no placar com quatro livros, sendo que um deles, “Crepúsculo”, tem lugar cativo na lista há 85 semanas. Outra norte-americana, L.S. Smith, comparece com dois livros. Os outros gringos são Dan Brown e Rick Riordan, americanos, e William Young, canadense, que fala muito do amor de Deus em sua literatura. Europa toda de fora; escritor latino-americano nem pensar. Africano faz muito tempo que não é citado e olhe, cara, que tem muita gente boa, alguns com o Nobel brilhando no peito, isso sem falar em Mia Couto, Pepetela, Manoel Lopes, José Craverinha, Helder Macedo, José Eduardo Agualusa, Ondjaki, Agostinho Neto, Gonçalo M. Tavares, africanos que falam e escrevem em língua portuguesa.

Entre os  leitores natalenses, claro, acontece o mesmo “fenômeno”. Confiro na lista da Siciliano, que sai colada à coluna de Carlos Souza, “Toque – Livros & Cultura”, todas as quartas-feiras nesta brava Tribuna do Norte, às vésperas (será em março) de comemorar 60 anos. Um detalhe: no placar dos livros de ficção mais vendidos na Siciliano de Natal não há nenhum autor brasileiro. Só a danada da americana Stephanie Meyer ocupa a metade da lista dos “10 mais”.

Se for livro de Poesia, aí, então, é uma verdadeira catástrofe. Em lista nenhuma encontra-se um livro de poema, um só. Nem de poeta de além mar, nem de nativo das praias de cá. Nem um Fernando Pessoa, nem um Carlos Drummond de Andrade. Nem na Veja nem na Siciliano. Bom, na lista da Siciliano, abre-se,  aqui e acolá uma exceção, mormente dias após o lançamento para livro de poeta desta aldeia de Poti mais esquecida. Olhe lá.

Nem os premiados

Nem entre os autores brasileiros premiados, em cujos céus flutua a nata de nossa literatura, são encontrados nas listas dos “10 mais lidos”. Brasileiro também não gosta de ler escritor premiado. Estou aqui com a relação dos premiados nos três mais importantes prêmios literários do país, ano passado, e não vejo nenhum deles em lista nenhuma. Os prêmios são o Jabuti – o mais antigo dos três -, o Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa e o Prêmio São Paulo de Literatura, este pagando uma nota de 200 mil reais ao vencedor.

Jabuti de 2009, categoria Romance, foi para o escritor gaúcho Moacyr Scliar, com Manual da Paixão Solitária. O segundo lugar ficou com o amazonense Milton Hatoum, Órfãos do Eldorado. Na categoria Poesia, venceu Alice Ruiz S. com Dois em um. Ela é paranaense e tem mais de vinte livros publicados. Os três estão ausentes.

O vencedor do Prêmio Telecom foi o escritor e artista plástico paulista Nuno Ramos, com o romance Ó, que eu não vi ainda em nenhuma lista. Nem daqui e nem de fora. O cara enfrentou feras, entre eles um verdadeiro escrete de escritores portugueses começando por José Saramago (A viagem do elefante), António Lobo Antunes (Ontem não te vi em Babilônia), Inês Pedrosa (A eternidade e o desejo), Gonçalo M. Tavares (Aprender a rezar na era da técnica) e Miguel de Souza Tavares (Rio das Flores).

O romance de Nuno Ramos foi um dos livros que mais me encantou em minhas leituras do ano passado. O poeta Alex Nascimento, que o leu numa noitada só, anda dizendo loas para o livro. Também não está na lista da Siciliano, mas foi lá onde eu peguei.

ronaldobe [Papo Cabeça] Brasileiro não gosta de ler brasileiro

Nem Galiléia

O prêmio literário brasileiro de maior valor em dinheiro, o São Paulo de Literatura de 2009,  coube a um escritor nordestino: Ronaldo Correia de Brito. Excelente contista, estreava no romance com Galiléia, escolhido como o “Livro do Ano de 2008”. Não me lembro de ter visto Galiléia nas listas dos 10 livros mais vendidos no Recife, onde vive o escritor, nem na lista dos jornais do Ceará, onde ele nasceu. Na revista Veja, nem pensar. Mas ler Ronaldo Correia de Brito, que andou por aqui ano passado na Festa Literária de Pipa, é uma delícia. Conversar com ele, também.

O gancho que me levou a essas notas partiu de uma leitura de revistas e jornais que o Marechal Porpa (Luiz Antônio Porpino) me trouxe de Portugal, por onde andou recentemente depois de escorregar nas neves da Alemanha e Holanda. Conferi em “NS”, revista semanal que sai na edição de sábado do Diário de Notícias, de Lisboa, as novidades literárias de Portugal. Fui à lista dos “mais vendidos”. Ficção. Lá são cinco.  Quatro são portugueses e um norte-americano. O gringo é o Dan Brown, que aparece nas listas brasileiras (Veja). É o mesmo autor de “O Código da Vinci” e que agora reina nos best-selers com “Símbolo Perdido”. Lá e cá.

Os portugueses são: José Rodrigues dos Santos (Fúria Divina), nascido em Moçambique e que também integra o time dos mais importantes jornalistas de Portugal, Margarida Rebelo Pinto (O dia em que te esquecerei), José Saramago (Caim) e Ricardo Araújo Pereira (Novas Crônicas da Boca do Inferno). A revista do DN, edição de 2 a 8 de janeiro, abre ainda espaços para Garcia Lorca e Albert Camus

O número de 26 de dezembro de 2009 a 1 de janeiro traz textos de Inês Pedrosa, Gonçalo M. Tavares, Irene Pimentel, José Luís Peixoto, José Tolentino Mendonça, Lídia Jorge, Margarida Rebelo Pinto, Nuno Júdice, Rita Ferro e Vasco Graça Moura sobre fotos de alguns dos principais fatos ocorridos no mundo. Faz resenhas também dos últimos livros de Saramago (Caim) e Antônio Lobo Antunes (Que cavalos são aqueles que fazem sobra no mar), apontando-o como “candidato ao melhor romance do ano”.

Fernando Pessoa

Na secção de Livros do Jornal de Negócios tem o registro do lançamento do livro de Fernando Pessoa. Livro de Viagem, afirmando que é “sempre agradável viajar à boleia de seus poemas”. Tem uns versos que eu destaco: O comboio abranda, é o Cais de Sodré. / Cheguei a Lisboa, mas não a uma conclusão.


Fonte: Tribuna do Norte, de Natal
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