Algo nos intriga, intimida, pois preservamos a vida.
Com o sem teto, o sem terra,
Estamos negando-lhe a oferta, a coberta.
Com o drogado, o submisso,
Estamos de alguma forma, alimentando seu vício.
Com o desempregado, o vagabundo,
Estamos negando-lhe o mundo.
Com o carente, o necessitado.
De alguma forma, negamos o seu espaço.
Com a falta de amor e tanto egoísmo;
Estamos cometendo desperdício.
Com a falta de diálogo, de argumento,
Escandalizamos o bom senso.
Com a desigualdade social, a má distribuição de renda;
Tudo estoura, tudo arrebenta.
Com o esmolambado, deixamos de fazer algo.
Com tanta ignorância, tanta agressividade,
Não estamos conscientes com a humanidade.
Com o terror, o medo, escondemos segredos.
Com o que não come, pede esmolas,
Estamos negando sobras.
Com o mal feitor, o delinquente,
Continuamos inconsequentes.
Com tanta briga, tanta violência,
Não estamos mantendo presença.
Com tanto supérfluo, tanto desperdício,
Estamos faltando com o nosso compromisso.
Com o desumano, o mal sujeito,
Percebemos nossos defeitos.
Com o que negamos um pão, o faminto.
De alguma forma, ferimos seu intimo.
Com o desprotegido, o carente, deixamos algo pendente.
Com quem não tem onde trabalhar, estudar.
De alguma forma, o impedimos de lutar,
De continuar, de avançar e conquistar.
Com a falta de paz, o aumento da guerra, fizemos merda.
Com a falta de abrigo, de vestuário, continuamos falhos.
Com o perdido, o desprotegido, negamos-lhes abrigo.
Com a falsidade, a mentira, conhecemos a hipocrisia.
Com o temor, a agonia,
Esquecemos de alguma forma, nossa cria.
Com o inimigo, o que negamos um aperto de mão.
De forma alguma completamos a missão.
Com a divisão, o caos, tornamos tudo desigual.
Com a permissividade, o imoral;
Fizemos mal, muito mau.
Com o que ferimos, não amamos
E, com isso, ficamos contentes...
Estamos nos tornando também delinquentes.
Com incertezas, dificuldades, medos, malícias.
De alguma forma, esquecemos a família.
Com o que não sabe ler, nem escrever...
Estamos negando-lhe o direito:
De fazer, ter e ser.
Com a sede, a falta de comida, exterminamos vidas.
Com tanto mal, tanta destruição...
Estamos negando o cristão, o nosso próprio irmão.
Donizete Alves
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