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quarta-feira, 27 de abril de 2011

AVC é a doença que mais mata no Brasil


O país inteiro voltou os olhos para o caso de Clodovil, que sofreu um Acidente Vascular Cerebral. Mas você sabe o que é um AVC? Como evitar? Quais os sintomas? 

De repente, uma dor muito forte na cabeça e dormência em um dos lados do corpo. Depois do atendimento médico, o diagnóstico: Acidente Vascular Cerebral (AVC), o responsável por 10% das mortes em todo o mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 15 milhões de pessoas têm AVC por ano no planeta. Destas, cinco milhões morrem e outras cinco milhões ficam com sequelas físicas e mentais. De acordo com o Ministério da Saúde, o AVC é a doença que mais mata no Brasil.


Popularmente conhecido por derrame, o Acidente Vascular Cerebral é causado pelo entupimento ou rompimento dos vasos sanguíneos cerebrais. De acordo com o neurologista do Hospital Universitário da UFMA, Achilles Câmara Ribeiro, uma vez estabelecido o quadro da doença, o paciente tem um intervalo de cinco horas – chamado janela terapêutica – para procurar o serviço de atendimento médico especializado e desobstruir o vaso sanguíneo bloqueado. A rápida identificação dos sintomas e a ação da equipe médica são fundamentais para diminuir a possibilidade de morte.


O neurologista explica que as manifestações ocorrem, geralmente, em pessoas acima de 50 anos. É necessário realizar atividades físicas regulares, ter uma alimentação equilibrada e controlar a pressão arterial, a diabetes e o colesterol. “Os sintomas mais frequentes do AVC são a dificuldade para falar, dormência nos membros, alterações na visão e boca torta”, destaca Achilles, professor do Departamento de Medicina I da UFMA.


De acordo com o Ministério da Saúde, o AVC é responsável por 40% das aposentadorias precoces no país. A reversão da lesão causada no cérebro quase nunca é completa. “Se a população tomar consciência dos fatores de risco, a doença pode ser evitada”, ressalta o neurologista.


Existem dois grandes tipos de AVC: isquêmico (responsável por 80% dos casos da doença) e hemorrágico (20%). Segundo o Neurologista, o isquêmico ocorre quando os vasos cerebrais são entupidos devido à formação de placas que impedem a passagem do sangue ao cérebro, que necessita de um fluxo de 700ml a 900ml de sangue por minuto. O hemorrágico (sangramento) ocorre quando há o rompimento dos vasos sanguíneos do cérebro. “O AVC hemorrágico é o mais grave e tem altos índices de mortalidade”, diz Achilles. (Da Ascom / UFMA)
Como reconhecer um AVC

Os acidentes vasculares cerebrais são emergências médicas, e o tempo é o fator crucial para permitir um atendimento adequado e melhores chances de recuperação, além de menos sequelas posteriores.

Portanto, é importante lembrar que qualquer pessoa que apresente uma alteração que possa significar uma mudança do funcionamento cerebral deve ser levada a um serviço de emergência para avaliação. Quais os sinais que devem ser observados?

Perda súbita da força ou dos movimentos em um dos membros ou face, geralmente atingindo um dos lados do corpo; perda da visão de um dos olhos de forma súbita; dificuldade de equilíbrio do corpo para caminhar ou mesmo se manter de pé; dor de cabeça súbita e muito intensa inesperada.

Uma observação importante: todos esses sinais podem ocorrer de forma fugaz com recuperação espontânea, mas mesmo assim a avaliação especializada é indispensável.

A prevenção, como sempre, é a melhor opção. Para isso, é preciso conhecer os principais fatores de risco para a ocorrência de um AVC. A hipertensão arterial é a principal causa associada aos derrames. Os hipertensos, se não tratados adequadamente, têm de quatro a seis vezes mais chances de sofrer um AVC. Estudos científicos mostram que, apesar do diagnóstico de hipertensão ser feito com frequência, o tratamento não é seguido na maioria dos casos.

Além da hipertensão, outros fatores contribuem para tornar o acidente vascular cerebral uma epidemia real em nossa sociedade. A fibrilação atrial, uma alteração do ritmo do coração, aumenta o risco de derrames. O diabetes e o tabagismo também são vilões para a ocorrência de um AVC. 

As opções de tratamento

O cérebro humano, quando atingido por um acidente vascular, pode ser salvo se receber tratamento adequado e em tempo. Os acidentes isquêmicos são os mais freqüentes, respondendo por mais de 85% dos “derrames” -- aqueles causados quando uma artéria fica obstruída por um coágulo, impedindo o sangue de alimentar as células.

Existe um tratamento para desobstruir as artérias: trata-se da injeção de uma substância capaz de dissolver esses coágulos – os trombolíticos. Ela atua sobre o coágulo e pode restaurar o fluxo natural de sangue. Infelizmente, poucos pacientes recebem esse tratamento.

Mesmo nos Estados Unidos, segundo um trabalho realizado pela Cleveland Clinic de Ohio, somente 2% das vítimas de acidentes vasculares cerebrais recebem o tratamento com trombolíticos. A principal causa para essa pequena utilização está no fato de que o tratamento só é efetivo se for administrado nas primeiras três horas após o início dos sintomas. 

Além dessa razão, existem contra-indicações ao método que devem ser respeitadas pela equipe que está tratando da vítima do derrame. Um paciente tratado a tempo pode ficar sem déficits neurológicos ou ter as conseqüências do problema bastante diminuídas. 

O que deve ser feito

É muito importante prevenir a ocorrência dos AVCs através do controle dos fatores de risco. Além disso, é fundamental que a população reconheça os sintomas dos derrames a tempo e que o tratamento esteja disponível para todos que precisarem.

Antes de saber como prevenir o acidente vascular cerebral (AVC), é preciso saber quais os fatores de risco da doença. Em primeiro lugar, vem o histórico familiar. "Pessoas cujos pais ou avós tiveram AVC precisam ter mais cuidado", afirma o neurologista Rubens Gagliardi, da Santa Casa de São Paulo.

O médico explica que existem doenças de base, chamadas de comorbidades, que também complicam o quadro. São elas a hipertensão, diabetes e colesterol elevado. "Nestes casos, é preciso combater os fatores de risco e fazer exames específicos com acompanhamento médico", acrescenta.
Estresse, obesidade, tabagismo e sedentarismo são outros fatores de risco. Além disso, a chance de um AVC aumenta com a idade.

Veja dicas para se prevenir do AVC:

- Mantenha a pressão arterial sob controle.

- Evite o consumo de sal em excesso.

- Modere a ingestão de bebidas alcoólicas.

- Não fume.

- Controle o peso.

- Tenha uma alimentação saudável: evite gorduras e frituras, coma bastante frutas, verduras e fibras.

- Pratique exercícios físicos regularmente.

- Evite o estresse: faça atividades relaxantes como uma caminhada ao ar livre, conversar com amigos, passear com o cachorro.


Levar uma vida saudável, cuidar da alimentação e praticar exercícios físicos regularmente pode reduzir em até 60% a chance de um AVC, acidente vascular cerebral, conhecido como derrame. O alerta é da 2ª Campanha Nacional de Prevenção do Acidente Vascular Cerebral.

"O AVC é a principal causa de morte no Brasil", afirma o neurologista Rubens Galgliardi, da Santa Casa de São Paulo. Segundo dados do Ministério da Saúde, a doença foi responsável por 90.930 óbitos em 2004, superando o infarto agudo do miocárdio, que registrou 65.482 óbitos o mesmo período.

Quando o paciente sobrevive ao acidente, muitas vezes fica com dificuldades na fala, na compreensão e até na locomoção. "Após instalado o AVC, 30% dos pacientes morrem, 30% ficam com seqüelas graves, 20% com seqüelas leves e 20% ficam sem seqüelas", explicou Gagliardi.

Durante a sexta-feira, 21 de julho, serão realizadas atividades educativas sobre a doença em 17 cidades brasileiras. O evento é organizado pela Sociedade Brasileira de Doenças Cardiovasculares e pela Associação Brasileira de Neurologia, em parceria com o laboratório farmacêutico Sanofi-Aventis.

Os locais foram escolhidos para a campanha de acordo com o ranking de óbito por AVC, conforme levantamento realizado em 2004 pelo Ministério da Saúde: São Paulo, Ribeirão Preto, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Florianópolis, Joinville, Vitória, Salvador, Recife, Brasília, Fortaleza, Belém, Goiânia, Teresina, Aracaju e Porto Alegre.

Em cada cidade, o público poderá buscar informações em postos montados em shoppings e terminais rodoviários. Os médicos e profissionais de saúde distribuirão folhetos informativos, além de esclarecer dúvidas da população.


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